Reuniões de A.A. abertas e fechadas há uma diferença

Box 4-5-9,Fev. Mar. / 1998 (pág. 3 a 5) =>https://www.aa.org/sites/default/files/newsletters/sp_box459_feb-mar98.pdf

Título original: “Las reuniones abiertas y cerradas: Hay una diferencia”

Qual a diferença entre reuniões abertas e fechadas? Do que se fala em cada uma delas? Há exceções que ampliam os limites? Um dependente de drogas pode assistir às reuniões fechadas de A.A.? Quem determina as regras? E mais: o recém-chegado sabe a diferença que há entre uma e outra?

Como diz a Quarta Tradição, “Cada Grupo de A.A. deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou a A.A. em seu conjunto”. Dessa forma, como podemos supor, as reuniões que nossos milhares de Grupos realizam têm cada uma, seu caráter particular. No geral, porém, a maioria das reuniões – desde as reuniões de novos até as de Passos e Temáticas – classificam-se em duas categorias: abertas e fechadas, como define o folheto “O Grupo de A.A.”

Qualquer pessoa interessada no programa de A.A. para a recuperação do alcoolismo pode assistir às reuniões abertas. As reuniões fechadas são unicamente para os membros de A.A., ou para aqueles que tenham um problema com a bebida e tenham “o desejo de parar de beber”. Sejam abertas ou fechadas, as reuniões dos Grupos de A.A. são realizadas e coordenadas por membros de A.A. Nas reuniões abertas, pode-se convidar aos não AAs para falar, conforme determinar a consciência de Grupo.

Ao longo dos anos, têm surgido vários mal-entendidos sobre ser ou não apropriado falar de certos temas nas reuniões abertas. A importância dada a esse assunto era tamanha que os membros da Conferência de Serviços Gerais de 1987 continuaram discutindo sobre o tema até altas horas da noite e em seguida emitiram uma declaração disponível para os Grupos que se interessassem: “Esta é uma reunião aberta de Alcoólicos Anônimos. Estamos encantados com a presença de vocês aqui, especialmente os principiantes. Em conformidade com nossa unicidade de propósitos e nossa Terceira Tradição, que diz que, ‘para ser membro de A.A., o único requisito é o desejo de parar de beber’, pedimos a todos os participantes que limitem seus comentários a seus problemas com o álcool”.

Tradicionalmente as reuniões abertas são para qualquer pessoa que deseje assisti-la. Não obstante, a experiência nos indica que não se deve deixar ao sabor do acaso a escolha dos temas de discussão; muito pelo contrário, a sugestão é de que as reuniões se realizem segundo um formato e procedimento cuidadosamente preparados com a finalidade de que a discussão fique centrada nos problemas relacionados com o álcool. Ironicamente, parece ser mais importante reafirmar o propósito primordial de A.A. nas reuniões abertas do que nas fechadas. É preciso recordar a alguns participantes que estão em uma reunião aberta de Alcoólicos Anônimos, e não em uma reunião genérica de um “Grupo de Doze Passos”.

Membros de A.A. de todas as partes do mundo têm enviado cartas ao Escritório de Serviços Gerais – ESG, pedindo informações sobre diversos aspectos das reuniões abertas e fechadas e compartilhando suas próprias experiências e opiniões. Apresentamos a seguir alguns exemplos em forma de perguntas e respostas:

O que acontece se um profissional ou outra pessoa que não seja membro de A.A. resolve identificar-se como tal a si mesmo numa reunião fechada de A.A.?

Existem duas soluções que têm dado resultado:

1)Alguns Grupos imediatamente consultam a consciência coletiva e declaram que a reunião é “aberta” para que o visitante possa ficar e observar como é uma reunião de A.A. (um membro comentou que é provável que o alcoólico de primeira vez não tenha a mínima ideia do que é uma reunião aberta ou fechada e, a menos que haja disputa, não se sentirá prejudicado com a troca de formato).

2) Outros Grupos, no intuito de proteger o anonimato dos AAs presentes, levam o visitante para um canto e recomendam outras reuniões abertas de A.A. nas vizinhanças, ou pedem a um voluntário que o leve para tomar um café a fim de explicar-lhe pessoalmente como funciona o programa.

Deve-se permitir que pessoas com outros problemas além do alcoolismo – em particular o abuso das drogas, assistam às reuniões fechadas de A.A.?

A Conferência de 1997 aprovou uma definição revisada da declaração da Unicidade de Propósito de A.A. que oferece uma possível solução: “O alcoolismo e a drogadicção podem ser classificados como ‘abuso de substâncias químicas ‘ou como ‘dependência de substâncias químicas’. Por conseguinte, às vezes se permite, em A.A., tanto a introdução dos não alcoólicos como a dos alcoólicos e lhes é feita a recomendação de que assistam às reuniões. Qualquer pessoa pode assistir às reuniões abertas de A.A., mas unicamente os que têm um problema com a bebida podem assistir às reuniões fechadas ou tornarem-se membros de A.A. As pessoas que têm outros problemas diferentes do alcoolismo podem se tornar membros de A.A. somente se tiverem um problema com a bebida”.

O que vocês acham dos AAs que falam nas reuniões sobre sua experiência com as drogas, assim como a relacionada com o álcool?

Cada vez mais gente que chega em A.A. hoje em dia é adicta ao álcool e outras drogas. Dessa forma, não é de se estranhar que falem nas reuniões sobre sua drogadicção. As pessoas podem falar com franqueza nas reuniões fechadas de A.A. e mencionar seu problema com drogas, mas o importante é não perder de vista o fato de que é uma reunião de A.A. Nas nossas reuniões, da mesma forma que em nossa literatura, colocamos como foco principal o vínculo que temos em comum – nosso alcoolismo – e não nossas diferenças.

É preciso identificar-se como alcoólico nas reuniões para poder participar?

Quando cheguei em A.A., há muitos anos, não existiam normas rígidas a respeito da forma como cada um de nós devia se apresentar. A mim me parece que hoje em dia, se você não diz quem você é, alguém logo pode perguntar, aos gritos: “Quem é você? “E, para dizer a verdade, acredito que o fato de que uma pessoa esteja ali, na reunião, indica claramente que tem o desejo de parar de beber. Por que não deixar que os principiantes sejam eles mesmos, por que temos que forçar as pessoas a dizer a mesma coisa? Sempre tive a impressão de que simplesmente estar ali já era o suficiente. Nunca ouvi alguém falar sobre a existência de uma norma que diga que você tem que se identificar como alcoólico para poder participar. Não obstante, é à consciência coletiva do Grupo que corresponde uma tomada de posição.

Deve-se permitir que as crianças assistam as reuniões fechadas?

Muitas pessoas trazem criancinhas às reuniões porque, de outra forma, não poderiam assistir – ou porque não têm dinheiro para pagar uma pessoa que tome conta ou porque não encontram quem possa fazer isso. A decisão corresponde ao Grupo. Costuma-se decidir cada caso conforme se apresente; às vezes, no entanto, o Grupo cria certas diretrizes a serem seguidas.

Ensinaram-me em A.A. que todas as reuniões de Passos e Tradições devem ser fechadas. Isso está correto?

A experiência compartilhada de A.A. demonstra que a maioria dos Grupos decide ter suas reuniões de Passos e Tradições fechadas. No entanto, cada Grupo tem autonomia para decidir sobre o assunto.

É permitido o comparecimento às reuniões de pessoas que não sejam membros de A.A.?

Sim. Desde os primórdios de A.A., os Grupos têm contado com a presença de não AAs como participantes e oradores em suas reuniões abertas. De fato, Bill W. pedia constantemente a médicos, clérigos e outros não AAs para que comparecessem às reuniões. Naturalmente, a decisão de fazê-lo fica por conta da consciência do Grupo. O bonito da autonomia é que não há regras que possam limitar o Grupo em sua capacidade de levar a mensagem. Inclusive, se não estamos de acordo com o que fazem outros Grupos, estes têm o direito de guiar-se por sua consciência de Grupo. Ao ler a literatura de A.A. encontramos muitas coisas que parecem ser contraditórias e pouco consequentes; mas acredito que essa é a verdadeira natureza de A.A., uma vez que se trata de uma comunidade espiritual que não pode ser definida específica e rigidamente. A ideia de autonomia é também espiritual e deixa que as questões sejam resolvidas por um Poder Superior a nós mesmos.

Como começaram as reuniões fechadas?

As raízes de A.A. remontam ao Grupo Oxford, um movimento evangélico cristão que surgiu nos anos 20. Além das reuniões regulares, havia “esquadrilhas de bêbados“ que se reuniam separadamente. Nos primeiros dias de A.A., quando todos os membros eram homens, suas esposas costumavam assistir às reuniões, segundo diz Lois W. (esposa de Bill W., o cofundador de A.A., e fundadora de Al-Anon). Conta ela que começaram a realizar-se reuniões fechadas porque os maridos se cansaram de suas esposas os acompanharem a todas as reuniões.