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Amigo Anônimo

aanonimoui

A importância dos não alcoólicos em A.A.

Olá *|PNOME|*,

O assunto que motiva essa nova – e para nós, estimulante – comunicação consigo é o da importância dos não alcoólicos para o surgimento, desenvolvimento e, certamente, o futuro de Alcoólicos Anônimos.

Pouco mais de 80 anos atrás, quando cerca de 40 ex-bêbados norte-americanos perceberam que tinham algo valioso em mãos — estavam sóbrios por períodos que variavam de poucas semanas a quase três anos; estavam reconstruindo laços familiares, carreiras e patrimônios; sentiam-se vinculados entre si por profundos e fraternos laços de ajuda mútua e serviço voluntário junto a outros iguais — logo passaram a fazer contato com profissionais não alcoólicos de renome, que pudessem emprestar seu prestígio, autoridade dinheiro ao nascente movimento, visando a torná-lo inteligível e acessível a qualquer alcoólico que desejasse o que eles estavam conseguindo, inicialmente apenas em território nacional.

Assim fizeram, chegando ao círculo do milionário John D. Rockfeller e empolgando empresários, advogados, jornalistas, gente de finanças, do mercado editorial, religiosos e outros, cujo conjunto de expertises específicas, ações e (parcos) recursos, contribuíram decisivamente para fazer de A.A. uma organização exitosa em seu propósito, de abrangência mundial e que desfruta, até os dias de hoje, de profunda empatia, credibilidade e respeito nos países e comunidades onde se faz presente. No dizer de Bill W., um dos cofundadores de A.A., “seguramente, nossa fama é melhor do que nós” graças à generosidade dos nossos amigos não alcoólicos.

Internamente, tal generosidade conseguiu abalar nossa antiga arrogância de censurar todas as tentativas terapêuticas no campo do alcoolismo, salvo as nossas! Hoje em dia a grande maioria de nós, AAs, recebe de bom grado qualquer luz nova que se possa jogar sobre a aflição misteriosa e desconcertante do alcoolismo. Não importa a procedência dos novos conhecimentos, se resultam de um tubo de ensaio, da sala do psiquiatra ou de novos estudos sociológicos. Cada vez mais consideramos a todos os que trabalham nesse campo como nossos parceiros na marcha da compreensão e da superação desse problema, percebendo que podemos realizar juntos o que nunca poderíamos conseguir separados e com rivalidades.

Ainda, alguns dos alertas essenciais sobre como organizar A.A. vieram desses amigos pioneiros: autossuficiência e relativa pobreza financeira, autonomia e cooperação sem afiliação, não profissionalização da ajuda mútua, evitar controvérsias públicas, anonimato. Sua firme e histórica recusa em atender nossas grandiosas expectativas iniciais, bem como suas preciosas ponderações sobre nossa experiência coletiva então em curso foram nosso seguro para um funcionamento sereno, plural e longevo, consolidado nas Doze Tradições de A.A. vivamente praticadas pelos membros e que têm possibilitado o resgate de milhões de vidas mundo afora, por décadas a fio.

Por outro lado, se é verdade que, no Brasil, temos muitos milhões de alcoólicos; se é verdade que, do berço ao túmulo, estes precisam de um ambiente de profunda compreensão; e se é desejável não esperar até que cada um chegue aos 50 ou 60 anos de uma vida carregada de sofrimento e destruição para finalmente buscar ajuda — então é certo que apenas cooperando com nossos amigos não alcoólicos, aqui em nosso país, poderemos expandir, até onde se mostrar necessária ou desejável, a prática do nosso propósito como Irmandade: transmitir nossa experiência a outros que desejam o que alcançamos – uma vida sóbria, livre, útil e feliz.

As inúmeras e imensas tarefas implicadas no enfrentamento global do alcoolismo — busca de novos conhecimentos, pesquisa, educação, políticas públicas, tratamentos e tantas outras — são tarefas da sociedade e dos especialistas. Individualmente, nós AAs buscamos colaborar, mas A.A. como tal não pode, não deve e nem deseja interferir diretamente nesses campos. Por outro lado, amiúde é no desenvolvimento destas tarefas, levadas a cabo por nossos amigos não alcoólicos, que nós AAs podemos mais eficazmente chegar até cada alcoólico para oferecer-lhe nossas simples sugestões.

Ou seja, necessitamos contar com outras agências, seus profissionais e sua disposição de dedicar grandes quantidades de tempo e esforço para enfrentar o problema global do alcoolismo. Apenas trabalhando em cooperação com todos esses projetos promissores para acelerar a recuperação de milhões de alcoólicos é que A.A. pode prosseguir no cumprimento de sua missão institucional. Continuamos desejosos por disponibilizar nossa experiência pessoal no âmbito de tais projetos, sempre que for do interesse dos seus responsáveis e executores.

Por fim, há um lugar especial, em cada nível da estrutura de serviço de A.A., reservado aos não alcoólicos. A Junta de Serviços Gerais de A.A. do Brasil conta com a participação voluntária deles no exercício de funções ligadas a finanças e relações públicas nacionais; nos coletivos servidos pelos nossos 80 escritórios locais em todo o país, que chamamos áreas, contamos com não alcoólicos que nos ajudam a dialogar e, eventualmente, cooperar com iniciativas no setor público, privado e terceiro setor, em nível regional e/ou estadual. Por fim, podemos dizer que não há grupo de A.A. que consiga subsistir sem a inestimável acolhida local de não alcoólicos em cada comunidade, sem contar as demais formas de ação conjunta que desabrocham nesse nível micro.

É por isso que, mais do que nunca, estamos conscientes de que A.A. só poderá prosseguir sendo útil a mais alcoólicos se puder permanecer de mãos dadas com nossos amigos de ontem, de hoje, do futuro e de sempre, um dia de cada vez.

Gratos por continuar conosco,

Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil

Obs.: mais informações e uma diversidade de experiências de ação conjunta entre A.A. e não alcoólicos podem ser encontradas em alguns itens da nossa literatura oficial, disponível em nossa  Loja Virtual

  • Livro Alcoólicos Anônimos (capítulo Aos empregadores);
  • Livro Cooperar Sempre (relatos de experiências);
  • Revista Vivência, a Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos;
  • Folhetos específicos para profissionais, com temas diversos.

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