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Amigo Anônimo

aanonimoui

Edwin T. Thacher (Ebby T.) (1896 -1966)

Box 4-5-9, Natal / 2006 (pág. 5-6) http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_holiday06.pdf

Título original: “Ebby T: El hombre que apadrinó a Bill W.”.

Um dia de setembro de 1934, um homem preocupado de nome Ebby T. encontrava-se na frente de um juiz de Bennington, Vermont, que o estava repreendendo pela bebedeira que o levou à prisão. O juiz estava permitindo que Ebby voltasse para sua casa, mas teria que voltar ao Tribunal na próxima segunda-feira, depois de prometer ao juiz que não beberia durante o fim de semana. Enquanto isso, um novo amigo chamado Rowland H. aprontava-se para se apresentar ao Tribunal e se responsabilizar por Ebby. O que nem o juiz nem Rowland sabiam era que os demônios dentro de Ebby estavam pedindo a gritos que tomasse um trago enquanto a polícia local o levava para a casa de verão da família a 40 km ao norte de Manchester. No porão da casa tinha estocadas garrafas de cerveja e estava impaciente por chegar e bebê-las. Quando a polícia foi embora, Ebby correu para o porão para pôr fim à angustia que o estava consumindo. Mas ao começar a tirar a tampa da primeira garrafa, um forte sentimento de culpa o deteve. Havia prometido ao juiz que não iria beber e tinha que cumprir a promessa. Depois de uma luta feroz, levou as garrafas para a casa de um vizinho. Isso o tranquilizou e foi sua última tentativa de beber nos próximos dois anos e sete meses. É possível que esta ação também tenha sido uma das maiores vitorias da história de A.A., porque foi Ebby quem transmitiu ao cofundador de A.A., Bill W., os princípios do Grupo de Oxford e a promessa de sobriedade. Se Ebby tivesse bebido naquele fim de semana, é de duvidar que se fosse apresentar no Tribunal na segunda-feira ou que o juiz lhe daria outra oportunidade. É pouco provável que houvesse mantido a sobriedade que tornou possível fazer uma visita ao totalmente embriagado Bill W. dois messes mais tarde. Apesar dos problemas com a bebida que sobrevieram mais tarde, Ebby foi um herói durante esses meses de crucial importância em que serviu como padrinho de Bill.

Ebby, embora não tenha seu nome mencionado, é protagonista de “A História de Bill” que aparece em todas as quatro edições do livro Alcoólicos Anônimos (Junaab, código 102, Pág. 31). Bill escreve-o como o velho amigo de colégio que o chamou no final de novembro de 1934, quando Bill se encontrava curtindo uma longa bebedeira na sua casa do Brooklin Heights, Nova York. Ebby entrou na casa de Bill “corado e bem-disposto”. Bill conta: “Ele estava sóbrio. Havia anos que ele não vinha a Nova York naquele estado. Eu estava perplexo. Corriam boatos de que havia sido detido por insanidade alcoólica. Fiquei imaginando como escapara. Sem dúvida ele viria jantar, e eu poderia então beber junto com ele, sem restrições. Sem me preocupar com sua saúde, eu pensava apenas em reviver o clima do passado”. Ebby não tinha ido para beber, mas para transmitir a Bill os princípios que tinha aprendido com Rowland H. e outros dois membros do Grupo de Oxford em Vermont. Ebby morava agora na Missão do Calvário no lado leste do Sul de Manhattan, havia tomado conhecimento dos problemas que Bill estava passando e estava-lhe levando a mensagem tal como seus companheiros do Grupo de Oxford lhe tinham recomendado que o fizesse para seu próprio benefício. Bill resistiu no começo, mas acabou por aceitar os princípios e tendo a experiência espiritual que lhe atribuiu uma nova missão na vida. A história da recuperação de Bill e de seu trabalho posterior foi contada inúmeras vezes em livros, palestras e a artigos; em alguns relatos foi considerado como um dos americanos mais destacados do Século XX. Mas Bill não o poderia ter feito se não houvesse tido a importantíssima visita de Ebby. E os AAs que estudam a história da Irmandade são unanimes ao afirmar que Ebby foi um maravilhoso e atento padrinho. Ebby T., cujo nome era Edwin, nasceu em Albany, Nova York, em 1896 e morreu em Ballston Spa, Nova York, em 1966. Passou um de seus anos de secundarista morando com a família de um ministro religioso de Manchester, Vermont, onde sua família tinha uma casa de veraneio.

Provavelmente foi ali que conheceu Bill W. que se criou em East Dorset, 11 km ao norte, e assistiu à escola secundária de Manchester. Ebby costumava lembrar que Bill havia sido um extraordinário lançador da equipe local de beisebol. É possível que Ebby tomasse vinho nas festas familiares, mas tomou seu primeiro autêntico trago em 1915, aos 19 anos, quando entrou no bar do Hotel Ten Eyck de Albany e pediu uma cerveja. Mais ou menos com essa idade começou a trabalhar no negócio da família. Quando fechou o negócio em 1922, embriagava-se com frequência. Depois foi trabalhar numa agencia de corretores de bolsa de Albany. Bill também era um corretor da bolsa de nova York e é possível que tivessem amigos comuns de negócios. (Ebby tinha sabido dos graves problemas que Bill enfrentava ao passar por uma agência de corretagem). Bill fala na sua própria história da ocasião em que os dois fretaram um avião para arrematar uma farra. Isto aconteceu em janeiro de 1929 quando Bill passou por Albany a caminho de Manchester, Vermont, numa viagem de trem. Ebby havia estado com os pilotos doa aeroporto local e sugeriu que os dois fossem de avião a Manchester, onde iria ser inaugurado um aeroporto. Depois de um voo perigoso atravessando uma região montanhosa, chegaram bêbados e comportaram-se de maneira vergonhosa diante das autoridades locais que estavam ali para a cerimônia de inauguração do aeroporto. Em 1932, a família de Ebby estava encantada de saber que ele iria mudar para Vermont, onde sua maneira de beber lhe ocasionou mais problemas e detenções. Estava morando na casa de verão da sua família quando Shep C. e Cebra G., dois membros do Grupo de Oxford, o escolheram como possível candidato para o seu programa. No começo resistiu, mas logo se mostrou disposto depois que mais uma bebedeira o levou diante do Tribunal de Bennington, a sede administrativa do condado. Também conheceu Rowland H. que obteve perante o juiz sua guarda temporária e lhe ofereceu o que atualmente se conhece em A.A. como apadrinhamento. Depois de algumas semanas, Rowland levou-o a Nova York e ajudou-o a encontrar alojamento na Missão do Calvário. Ebby transmitiu a mensagem do Grupo de Oxford a Bill e mais tarde instalou-se na casa de Bill e Lois quando fechou a Missão do Calvário em 1936. Em 1937 voltou para Albany, onde se empregou numa fábrica da Ford. Mais tarde Ebby disse que problemas de trabalho foram a razão que o levou a beber em 1937.Sua vida converteu-se num pesadelo de bebedeiras seguidas de curtos períodos de sobriedade. Teve variados empregos onde tinha sucesso por curtos períodos de tempo. Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial trabalhou como empregado civil na Marinha de Guerra e foi muito estimado por seus superiores. Ebby morou durante meses com Bill e Lois. Bill tratou de ajudá-lo, mas não obteve bons resultados. Às vezes Ebby perambulava pelas ruas sem ter para onde ir.

Entretanto, os AAs nunca deixaram de ajudá-lo e em 1953 um AA nova-iorquino, Charlie M., deu-lhe uma passagem para Dallas, Texas, para fazer um tratamento numa clínica dirigida por Searcy W., um membro pioneiro. Teve algumas dificuldades no começo, mas conseguiu a sobriedade no Texas e ali ficou por oito anos. Também conseguiu um emprego fixo e nele ficou por vários anos. O tempo que passou no Texas foi o melhor período da sua vida adulta. As pessoas agradecidas tratavam-no como uma personalidade e faziam esforços especiais para conhecê-lo e ouvi-lo falar. Um casal o convidou para passar um par de meses na sua fazenda de gado próxima de Ozona, Texas, e ficaram encantados com a visita. Quando estava sóbrio, Ebby era um homem amável e simpático a quem resultava muito fácil fazer amizades. Voltou para os arredores de Nova York no final de 1961 e morou durante algum tempo com o seu irmão mais velho, Ken. Enquanto isso era acometido com mais frequência por problemas de saúde e já não conseguia viver de maneira independente. Bill W. que sempre tinha ajudado Ebby enviando-lhe algum cheque de vez em quando, interveio novamente para aliviar seus problemas durante os últimos anos. Criou um fundo para os cuidados de Ebby e convidou seus amigos a contribuir com esse fundo. No começo de 1964, Bill encontrou um lar para Ebby numa granja de repouso em Galway, nas proximidades de Saratoga Springs, Nova York. Bill levou Ebby para a granja, de carro, em maio de 1964 e o confiou aos cuidados de Margaret e Mickey Mc P., membros de A.A. que cuidavam de alguns alcoólicos na sua casa construída no Século XIX. Para Ebby não poderia ter havido lugar melhor para passar seus últimos anos. Ficou muito popular entre os demais residentes que se impressionavam muito com sua capacidade para resolveras difíceis palavras cruzadas do New York Times. Recebia a visita de sua família de Albany, a apenas 40 km ao sul de Galway. Num dia março de 1966 Ebby não pode descer para tomar o café da manhã. Às presas foi levado ao hospital de Ballston Spa, onde morreu na manhã de 21 desse mês. A causa da morte foi enfisema pulmonar, a mesma doença que levaria à morte Bill W. menos de cinco anos mais tarde. No dia da sua morte, Ebby tinha dois anos de sobriedade. Bill e Lois estavam viajando pelo México e voltaram a tempo de assistir o funeral em Albany. Na morte, Ebby reuniu-se com membros da sua eminente família no Cemitério Rural de Albany. É difícil encontra o túmulo de Ebby nesse cemitério arborizado com seus caminhos íngremes e sinuosos, mas muitos AAs vão lá para visitá-lo. Estes companheiros agradecidos reconhecem o papel que Ebby desempenhou ao apadrinhar Bill e assim dar início ao processo que ajudou milhões de pessoas a conseguir a sobriedade. Da mesma maneira que nas lápides de Bill W. e do Dr. Bob, não há menção a A.A. na de Ebby.

http://www.aa.org/lang/sp/sp_pdfs/sp_box459_holiday06.pdf

Leia também:

“Em memória de Ebby”, artigo de Bill W. em “A Linguagem do Coração”, pág. 431 – Junaab, código 104

 

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