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Amigo Anônimo

aanonimoui

1939 01 Apresentação do manuscrito aos nossos amigos

Finalizada a datilografia do livro "Alcoólicos Anônimos", os autores decidiram pedir que amigos não alcoólicos comentassem seu conteúdo, para garantir que não houvesse erros médicos ou materiais que pudessem ser ofensivos a pessoas de diferentes religiões. Foram feitas 400 cópias mimeografadas e enviadas a amigos e profissionais da área da medicina e da religião, para avaliação e comentários. Entre as sugestões recebidas destacam-se a de um médico de Baltimore propondo que um médico escreva a introdução.

Para mostrar no livro o apoio da medicina, o Dr. William D. Silkworth aceitou escrever uma introdução. Bill W. costumava descrever o Dr. Silkworth como "o pequeno doutor que amava os alcoólicos". O então médico chefe do Hospital Charles B. Towns em Nova York, "um homem que foi mais que um fundador de A.A. Com ele aprendemos a natureza da nossa doença. Ele nos forneceu as ferramentas para romper o inflexível ego do alcoólico, aquelas frases de impacto com as quais descreveu a nossa doença – a obsessão da mente que nos compele a beber e a alergia do corpo que nos condena a ficar loucos ou morrer". Foi o homem que disse a Bill W. que sua dramática experiência espiritual não era uma alucinação, mas uma experiência transformadora sobre a que poderia construir uma nova vida. E foi um dos muitos amigos não alcoólicos que, naqueles primeiros dias, quando A.A. era um pequeno movimento lutando para sobreviver, arriscou sua própria posição profissional para dar à nossa Irmandade o apoio que tanto precisava. Sua introdução, "A Opinião do Médico" faz parte das páginas preliminares do livro "Alcoólicos Anônimos".

Um dos comentários mais importantes para o futuro da Comunidade veio de um conhecido psiquiatra de Montclair, Nova Jersey – o Dr. Howard. "Ele salientou que o texto do nosso livro usava demais as palavras 'você' 'deve'. Sugeriu que as substituíssemos por 'nós' e 'deveríamos'. Sua ideia era remover todas as formas de coação, para que nossa Irmandade se estabelecesse na base de 'nós deveríamos' em vez de 'você deve'. Fazer essa mudança em todo o texto daria muito trabalho. Argumentei francamente contra isso, mas logo me dei por vencido; não havia dúvidas de que o médico estava totalmente certo", disse Bill W.

As mudanças efetuadas na rígida abordagem inicial sem dúvida ajudaram a tornar esse livro aceitável para muitos alcoólicos teimosos nos anos seguintes. Por exemplo, na versão atual, o Capítulo 5 começa "Raramente vimos alguém fracassar tendo seguido cuidadosamente nosso caminho" - muito melhor do que o original "... seguido as nossas indicações". Da mesma forma, a frase "Se você chegou à conclusão de que quer o que nós temos e deseja fazer todo o possível para obtê-lo, então está pronto para seguir as nossas indicações" foi mudada para "... dar alguns passos"; também houve mudança na frase "Mas há alguém que tem todo o poder – esse alguém é Deus – você tem que encontra-Lo agora!", foi suavizado para "... Que você possa encontra-Lo agora!".

Frases tais como "o primeiro requisito é que..." já não aparecem no texto, e as palavras "Acreditamos que agora você pode aguentá-lo" que precediam a "Eis os passos que demos..." foram excluídas. E, felizmente, o livro já não diz, "Se você não está convencido destes assuntos vitais, deve voltar a ler o livro até este ponto ou jogá-lo no lixo".

O Dr. Harry Emerson Fosdick, o muito respeitado ministro da Igreja Presbiteriana Riverside de Manhattan, que deu uma calorosa acolhida ao livro e ainda escreveu um artigo muito favorável para a Irmandade.

CAHist – Comitê de Arquivos Históricos da Junaab