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Ser A.A. é...

Sair de si mesmo, em direção ao que ainda sofre, segundo o relato a seguir.

Comecei a fazer parte de A.A. em maio de 1982; àquela época éramos poucos no Grupo de A.A. Natal: aproximadamente 60 companheiros.

No dia do meu ingresso, um membro disse-me: “companheiro, se você quiser ficar conosco, evite o primeiro gole, frequente as reuniões e afaste-se dos velhos ambientes”. Confesso que foi duro ouvir aquilo; eu estava na contramão do sentido da vida, era um vexame moral, espiritual, mental, profissional etc. Mesmo assim, acreditei naquele cidadão.

De imediato, evitei o primeiro gole e frequentei as reuniões assiduamente – coisa que faço até hoje, participando todos os dias. Minha primeira grande oportunidade de sentir-me sendo AA foi quando fiz minha primeira abordagem a uma mulher que frequentava o cabaré do qual fui freguês assíduo enquanto bebi. Fiquei radiante, pois ela ingressou. Assim, foi registrado o primeiro ingresso de uma mulher em A.A. na cidade de Natal (1982).

Com frequência regular às reuniões, fui observando uma grande mudança interior, através da prática dos princípios sugeridos. Até então, não tínhamos estudo dos Doze Passos, nem do programa de um modo geral. Mas, mesmo com as poucas referências, eu conseguia, de algum modo, praticar.

Em certo momento, creio que entre 1990 e 1995, começamos a estudar o programa, e posso afirmar que minha vida mudou para melhor, porque passei a ser verdadeiramente um AA — para mim, isso acontece quando conseguimos sair de nós mesmos em direção ao outro.

No meu entendimento, os fatores que mais podem indicar até que ponto sou AA são: conhecer perfeitamente minha responsabilidade para com aquele que ingressa, mesmo não sendo meu afilhado; respeitar toda e qualquer decisão do meu grupo base; praticar a Declaração de Responsabilidade; dar atenção a meus companheiros; zelar pelo anonimato dos demais membros; preservar a Unidade do grupo; praticar honestidade, boa vontade e mente aberta; levar para o túmulo toda confidência de Quinto Passo feita a mim; além de outros fatores que vivencio, de forma, para mim, milagrosa.

Gostaria de fazer um registro final: quando cheguei à Irmandade, era solteiro e passei a ser o membro mais jovem do grupo (31 anos). Cheguei prostituído, com várias dependências, pensando em suicídio e sem rumo. Deus, tal como concebo um Poder Superior, colocou em minha vida uma moça, quando eu estava há dois anos em A.A.Estamos casados há 32 anos e tenho dois filhos que ajudamos a formar, além da esposa maravilhosa que, até hoje, incentiva-me a frequentar reuniões.São muitas dádivas.

EDIÇÃO: 170 – PÁGINA: 8