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Compartilhando os passos, 3º passo

O Terceiro Passo pede uma ação positiva: – deixar Deus entrar em nosso coração sem medo, sem receios, sem fronteiras ou idéias pré-concebidas, pois é somente através da ação que conseguimos abandonar a vontade própria que, até o momento impediu a entrada de Deus em nosso coração.

A esperança, a fé, o sentido e a direção de nossas vidas nascem em nosso interior, não como uma passe de mágica, do dia para noite, mas no contato diário de proximidade com o Poder Superior. Através de um coração aberto e um espírito irrequieto, escutamos, percebemos e sentimos a Presença.

Quantas vezes ouvimos: “As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus”!

Numa atitude corajosa nos despojamos de tudo entregando nossa vida e nossa vontade aos cuidados Daquele que nos deu a vida, na forma em que O conhecemos.

Esta decisão exige de nós aceitação contínua e comprometimento diário com os Princípios Espirituais do Programa de Recuperação de A. A.

Os Doze Passos nos levam a uma nova maneira de viver: – o viver com Amor e esse Amor é impossível guardar só para nós. A partir do 3º Passo compartilhamos uns com os outros a entrega total!!

3º Passo:

Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.

“A Chave da Boa Vontade”

Abri a porta que até então estava trancada a chave

“A prática do Terceiro Passo é como abrir uma porta que até então parecia estar fechada a chave. Bastará a decisão de dar uma volta na chave, não mais que isso para que comece a fluir a ação divinal que ordenará e confortará nosso atribulado espírito.”

Ingressei em A. A. em 1993 depois de haver perdido minhas forças e o controle do meu modo de beber; depois de ter me afastado de Deus e outros valores.

Tenho certeza que não cheguei a esta Irmandade por acaso, mas sim, pela única e exclusiva vontade de Deus, do Qual eu estava bastante distante em razão da desordem e desarmonia do meu espírito.

Em A. A. descobri que há uma diferença entre parar de beber e me recuperar. Parar de beber para mim é relativamente fácil. O que não é fácil e nem possível é fazer isso sozinho, reconstruir, recuperar, refazer as estruturas e se colocar em pé; chegar onde venho chegando tem sido possível com ajuda de vocês e os ensinamentos de A. A.

O Primeiro Passo pedia de mim apenas aceitação e descoberta de mim mesmo, ou seja, o reconhecimento de uma situação de fragmentação, desordem, desarmonia e perda de domínio sobre a minha vida quando, impotente diante do álcool, me sentia derrotado pela doença do alcoolismo. Quando tomei conhecimento profundo que o Primeiro Passo me mostrava que realmente eu era impotente perante o álcool, as coisas foram ficando mais claras para mim.

Foi muito bom quando tomei o conhecimento do Segundo Passo, que me proporcionou o conhecimento dos meus desvios e me sugeria a descoberta da fé ou crença de que a reconstrução da ordem e harmonia que tanto desejava poderia ser alcançada pela ação do Poder Superior. Trouxe-me o conhecimento da consciência, da ordem mental e emocional através da fé. Pude então compreender o quanto tinha a mente frágil, sem a fé e por isso não vivi bem até ali. Essa consciência me assustou muito a princípio, mas me proporcionou alívio, porque eu já estava descobrindo a causa básica dos meus problemas, dos efeitos negativos e reações negativas.

A partir dessa consciência pude tomar o domínio de minha vida, meus impulsos e os meus instintos. Na minha maneira de entender, os passos de A. A. sempre me orientam e, desta maneira fui orientado pelo Segundo Passo a acreditar que um Poder Superior poderia devolver a minha sanidade mental e isto seria a minha solução.

Assim, a descoberta desta fresta de fé ou resíduo de crença dentro de mim serviu de base ao início do meu crescimento espiritual mediante a ação de um Poder Superior, o único canal possível, quem sabe, a minha última saída.

Ficou complicado para mim a partir do Terceiro Passo que me sugere a entrega da minha vida e da minha vontade nas mãos de Deus, da forma em que eu O concebo. Pensei que isso aconteceria como um passo de mágica: bastava apenas eu pensar que a minha vida e as minhas vontades estavam nas mãos D’Ele e isto bastaria para ser atendido. Sofri bastante em esperar que as coisas acontecessem assim, simplesmente.

Tempos depois, tive uma nova consciência de que essa entrega não se daria em curto prazo. Então eu me preparei para fazer, de fato essa entrega prontificando-me a entregar a minha vontade nas mãos de Deus diariamente, a cada hora repetidas vezes.

Há empecilhos ainda que me impedem a felicidade e a entrega contínua. Existem muitas coisas para serem preparadas antes de se chegar a esse estágio espiritual. Dentre essas coisas é o exercício contínuo para vivenciar os princípios sugeridos por A. A.

Sinto que minha incapacidade de ser sincero comigo mesmo vem atrasando bastante minha recuperação. A princípio, eu achava que tudo que fazia em A. A. era em benefício dos outros, até achava que estava sendo bonzinho demais. Gostava de uns elogios. Os defeitos de caráter sempre se agravavam quando estava vivendo desta forma. Mas como eu poderia agir de outra forma sendo que, não tinha a capacidade de entregar a minha vida e a minha vontade nas mãos de Deus com minha mente ainda dominada pela doença do alcoolismo?

Mas com todos os esforços, todos os exercícios, lendo e participando dos grupos, indo às reuniões, aprendendo com vocês, encontrei a chave. A chave que me deu a condição de dar uma pequena voltinha na fechadura e que foi o meu movimento para descoberta de Deus.

Começava neste momento uma futura e duradoura experiência espiritual. As coisas começara a brilhar, e comecei a sair do inferno que me sufocava.

A vida sem Deus é um inferno e o inferno sem bebida é muito pior, dói muito mais!

Venho fazendo esforços porque para mim essa doença tão grave e complexa a qual só descobri quando me havia feito doente da mente, do espírito, um bom tempo após estar aqui com vocês evitando o primeiro gole.

Tive sorte, e estou tentando aplicar os princípios espirituais de A. A. correndo atrás para abrir a cada dia da minha vida a porta do Terceiro Passo. Concordei com a maneira de viver em A. A. Estou sempre me preparando para enfrentar os obstáculos da vida.

Havia recusado isto por um bom tempo, até que eu um dia descobri que esta entrega poderia me proporcionar vier bem e em paz com Deus, com as outras pessoas e comigo mesmo.

Ao tomar consciência desse Terceiro Passo foi preciso combater meu egoísmo e ser paciente. Não quero dizer que tenho vivido bem todos esses princípios. Não sei em que nível está, pois sou a pessoa mais suspeita para falar da minha melhora. Posso falar do estado de espírito que me encontro. Estou tentando fazer a todos o que eu gostaria que me fizessem. Passei a entender que é bem melhor ter para dar do que ter que pedir. Isto me tem feito mais forte a cada dia, quando esforço-me para viver esses princípios, a filosofia pura de A. A., os quais têm me feito forte o suficiente para alcançar a força e a fé.

Sempre buscava através da religião, Deus e fé. Mas um Deus que de fato não existia, um Deus particular que resolvesse os meus problemas à minha maneira e que tornasse a vida menos dura para mim. Isto não foi possível.

Nos reais ensinamentos de A. A. venho encontrando Deus. Um Deus que me dará certamente com o meu trabalho de busca, força de vontade, tolerância, compreensão, aceitação da minha doença, paciência e capacidade para resolver problemas. Assim as coisas têm melhorado para mim. Tenho feito esforços para não voltar aos velhos costumes e não reviver as velhas ideais.

O Terceiro Passo, em especial é, pois o movimento que devemos empreender de descoberta de Deus para o aprofundamento de uma futura e duradoura experiência espiritual. É um esforço da fé, uma necessidade de buscar ajuda do Poder Superior que acabamos de descobrir.

Assim sendo, sempre que a gente se sentir ameaçado, frágil, acuado, sem saída, prestes a perder a vida Deus aparece como o único fio de salvação.

Diz a literatura de A. A. que a prática do Terceiro Passo é como abrir uma porta que até então parecia estar fechada à chave. Bastará a decisão de dar uma volta na chave da fechadura, não mais que isso, para que comece a fluir a ação divinal que ordenará e confortará nosso atribulado espírito.

Essa decisão de movimentar a chave da nossa vontade significa o pedido que obrigatoriamente haveremos de fazer ao Poder Superior para que entre e arrume a nossa casa. Para que habite a nossa morada. Para que nos traga a sabedoria e a paz, e com elas a serenidade. Pela felicidade verdadeira que é a experiência de Deus.

(Fonte: Revista Vivência Nº 113 – Antônio/MG)