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Grupo Base: Revista Vivência – Edição 179

Como o Grupo-base, ao mudar para melhor, transforma a recuperação de seus membros, suas relações com a comunidade e com a estrutura de serviço, ampliando a percepção da verdadeira dimensão da Irmandade.

 Ingressei em A.A., no grupo ao qual pertenço até hoje, por pura necessidade física. Como todo doente alcoólico, eu precisava parar de beber. Assumi o Primeiro Passo e estabilizei-me; mas fiquei muito tempo planando na programação, Frequentava reuniões apenas para ouvir os depoimentos, agradecia e ia viver minha vida tranquila sem o álcool.

A nova vida, entretanto, trouxe-me um período de trabalho intenso, responsabilidades e viagens por vários lugares do estado. Durante esse período, frequentei reuniões nos grupos que encontrava nas cidades por onde trabalhava.

Quando finalmente retornei à minha cidade, vi meu grupo-base transformado. Muita coisa tinha mudado, inclusive, agora, o grupo era autossuficiente. Mudaram também as lideranças, o que influenciou a dinâmica das reuniões e alterou a própria percepção sobre o conjunto da irmandade. Eu senti, mas assumi a mudança.

Às vezes, recordava meus primeiros momentos no grupo, quando ficava calado nas reuniões. Nossa antiga sala funcionava num anexo da igreja, e, uma vez, o padre, numa festividade religiosa, chamou todo o grupo para cima do altar, para agradecer e enaltecer nosso trabalho. Uma situação inusitada, sobre a qual eu e meus companheiros não tínhamos nenhum controle, nem ideia se aquilo rompia ou não alguma tradição. Naquela época, poucos nos dispúnhamos a conhecer e entender a literatura de A.A.

Essa lembrança soava agora muito distante, principalmente no momento em que voltava ao grupo e encontrava-o autônomo, ligado à estrutura de serviço da irmandade e arejado de literatura. Nosso grupo também já não estava sozinho na cidade – havia agora outros cinco grupos. Alguns eram fruto do trabalho de levar a mensagem, outros surgiram por desentendimentos entre membros; mas, de forma geral, pode-se dizer que meu grupo-base foi o difusor da Irmandade na região.

Além da autossuficiência, tínhamos agora uma sólida estrutura, voltada para o conhecimento e a prática de literatura, para a unidade com os órgãos de serviço e para o propósito de divulgar a mensagem – de forma organizada e regular.

Eu, que sempre participara dos serviços do grupo, resolvi arregaçar as mangas e trabalhar com mais afinco, doando-me àquela maravilhosa programação, dando de graça o que recebi de graça.

As mudanças no grupo fizeram-me me entender que o álcool era só um detalhe. Aprofundando-nos na literatura – hoje, faço todos os dias a reflexão diária e carrego os Doze Passos no porta-luvas do carro – eu e meus companheiros começamos a perceber que a programação oferecia muito mais às nossas vidas que o simples parar de beber.

Passamos a fazer as chamadas reuniões californianas – em formato circular e baseadas na literatura – nas quais incentivamos toda semana um membro a fazer uma breve temática antes das experiências. Isso tem nos ajudado não só a compartilhar melhor, mas também a crescer dentro do programa de A.A. e a perceber a grandiosidade da nossa irmandade.

Nosso grupo, sempre muito coeso, participa não só de eventos locais e regionais, mas também daqueles nacionais, como as convenções que se realizam a cada quatro anos. Adquirimos uma percepção mais profunda do que é a nossa irmandade e descobrimos que participar da estrutura não é só com contribuição financeira, mas sim com a atuação efetiva de representantes no distrito, nos ciclos de estudos, além de abertura e disposição para as mensagens e chamados que vêm da área ou da JUNAAB. Discutimos sempre aquilo que podemos aprender – não só aprender, mas, principalmente, contribuir para que essa grande teia de amor altruísta não se desfaça.

Hoje, passados 42 anos de existência do nosso grupo, olho no retrovisor vejo o quanto cresci e ainda tenho a crescer, junto com meus companheiros, no entendimento da programação de A.A. Num grupo que se envolve com a comunidade, com a estrutura da irmandade, com o estudo de nossa literatura, tenho certeza de que estamos no caminho para sermos “uma sociedade de homens e mulheres em ação”.

J., Itabirito, MG