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A importância da literatura de Alcoólicos Anônimos

Sabemos da importância da oralidade, da transmissão e troca de experiências através da fala para a identificação com o outro alcoólico que vem buscar ajuda em nossos grupos. Aliás, desde o início de nossa Irmandade, o processo de compartilhar experiências tem como base fundamental e imprescindível o contato direto com o outro. O Dr. Bob só aceitou continuar conversando com Bill W. porque a história deste homem coincidia com a sua. Porém, esses dois companheiros e os primeiros membros de A.A. muito cedo perceberam que a criação, o desenvolvimento e, sobretudo, a manutenção de nossa Irmandade para as futuras gerações de alcoólicos não poderiam estar baseados em alicerce tão frágil e tão vulnerável às nossas personalidades. Era necessário, portanto, que todas as experiências adquiridas fossem registradas para que não incorrêssemos repetidamente nos mesmos erros e, principalmente, que a Mensagem fosse única.

“Em 1937, alguns de nós nos demos conta de que A.A. tinha necessidade de literatura uniforme. Seria necessário. publicar um livro. Nosso programa verbal poderia ser desvirtuado, as oposições sobre os princípios básicos poderiam nos destruir e, então, nossas Relações Públicas se perderiam. Não cumpriríamos com nossa obrigação ante o alcoólico que ainda não nos conhecia se não colocássemos por escrito nossos conhecimentos.”

A partir dessa necessidade incontestável, foi publicado em 1939 nosso texto base: Alcoólicos Anônimos. Nossa Irmandade passou a ser chamada Alcoólicos Anônimos precisamente em função dessa publicação. Nela encontramos a experiência vivida por nossos primeiros companheiros e as primeiras sugestões para a prática dos Doze Passos para a Recuperação. Além do mais, foi justamente através desse livro que nossa Irmandade superou os limites dos Estados Unidos e Canadá, tornando-se uma irmandade mundial.

“Nós, de Alcoólicos Anônimos, somos mais de cem homens e mulheres que nos recuperamos de uma aparentemente irremediável condição mental e física. Demonstrar a outros alcoólicos exatamente como nos recuperamos é o principal objetivo deste livro.”

Para além de nossa recuperação individual e juntamente com o surgimento de novos grupos e o crescimento progressivo de nossa Irmandade, adveio a necessidade de princípios que estabelecessem relacionamento entre membros e grupos de A.A. e entre nossa Irmandade e a sociedade. Resultado fundamentalmente de nossas próprias experiências e de outras semelhantes às nossas, as Doze Tradições, publicadas pela primeira vez em 1946, juntamente com a forma integral dos Doze Passos, constituem, sem sombra de dúvida, o alicerce de nossa Irmandade.

“As Doze Tradições de A.A. dizem respeito à vida da própria Irmandade. Delineiam os meios pelos quais A.A. mantém sua unidade e se relaciona com o mundo exterior, sua forma de viver e desenvolver-se.”

Em função da necessidade de que os grupos espalhados pelo mundo todo se responsabilizassem tanto pela unidade quanto pela manutenção de A.A., Bill W. escreve os Doze Conceitos para Serviços Mundiais, que segundo ele mesmo “pretendem registrar o ‘porquê’ da nossa estrutura de serviço, de tal maneira que a valiosa experiência do passado e as lições que tiramos dessa experiência nunca devam ser esquecidas ou perdidas”

Essas são as quatro publicações básicas de nossa Irmandade, aquelas que delineiam os nossos Três Legados: Recuperação, Unidade e Serviço. Mas além delas, temos ainda:

Manual de Serviço, que adapta a estrutura de serviço à realidade brasileira, seja em relação aos Serviços Gerais, seja em relação à estrutura do CTO. Viver Sóbrio, publicação que apresenta sugestões para ajudar a não beber;

As obras biográficas e históricas: Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade, Dr. Bob e os Bons Veteranos e Levar Adiante.

As compilações: O Melhor de Bill, Reflexões Diárias. Na Opinião do Bill e A Linguagem do Coração, este último tendo sido lançado no Brasil, com o objetivo de custear nossa próxima Convenção Nacional, a realizar-se em 2007, em Manaus.

Os livretes e folhetos: O Grupo de A.A., A Tradição de A.A. como se desenvolveu; Três Palestras às Sociedades Médicas; Perguntas e Respostas sobre apadrinhamento, etc.

Obviamente que não poderíamos esquecer nossa Revista Vivência, que já está quase em sua centésima edição. Seguindo o exemplo de outras publicações, como Grapevine, La Viña, Partage, etc., a nossa Vivência publica matérias enviadas por nossos companheiros brasileiros, refletindo assim a nossa realidade e o esforço do A.A. brasileiro em busca de Recuperação, Unidade e Serviço.

A nossa Literatura constitui, portanto, nossa ferramenta essencial tanto para a continuidade de nossa recuperação individual, quanto para levar a Mensagem correta. Se hoje estamos sóbrios e buscando viver uma vida com dignidade, útil e feliz, não podemos nunca nos esquecer de que também é nossa a responsabilidade de deixar para as futuras gerações de alcoólicos essa Mensagem. Esse é nosso dom e nossa tarefa, que nos foram dados pelo Criador de todas as coisas.

Infinitas 24 horas, meus companheiros de caminhada.

Anônimo

Vivência n° 98 – Novembro/Dezembro 2005