Alcoólicos Anônimos, uma Irmandade de homens e mulheres !

Olá, *|PNOME|*!

Uma das páginas mais desafiadoras da história de A.A. refere-se à chegada de alcoólicos pertencentes às assim chamadas minorias humanas: étnicas, religiosas, sociais, sexuais, culturais. Tendo nossa Irmandade nascido nos Estados Unidos dos anos 1930, seus primeiros membros foram predominantemente homens, brancos, cristãos de classe média – os quais definiram inúmeras e complicadas regras para a aceitação de novatos.

Mas, a força da atração resultante da identificação com alcoólicos em sofrimento com os mais diversos perfis levou-os a quebrarem reiteradamente as próprias regras que criaram. Ao verem alcoólicos tão diferentes se recuperarem quando uma chance lhes era oferecida, os pioneiros se autoquestionaram à luz de seus próprios valores, percebendo que, de fato, estavam apenas temendo por sua imagem ou reputação; que quaisquer alcoólicos não representavam nenhum risco de fato, independentemente de suas características pessoais. Dispuseram-se, então, a superar todo preconceito ou barreira na busca de mais alcoólicos sofredores.

O segmento “mais problemático e menos bem-vindo dos velhos dias de A.A.” foi o das mulheres. Vistas com desconfiança pelas esposas dos poucos AAs já sóbrios; recebidas com perplexidade e medo pelos pioneiros, as primeiras alcoólicas a chegar precisaram, tal como Cinderela, de credenciais extras: eram ricas e/ou esposas de figuras iminentes. Mesmo assim, o próprio Dr. Bob declarou que “Não sabia como lidar com elas”; que o programa possivelmente não funcionaria. A medicina ainda não havia consolidado o conceito do alcoolismo como doença, enquanto o senso comum via o beber problemático em mulheres como um inaceitável problema moral.

À medida que aquelas bebedoras — “damas” incontestes aos olhos de então — ficaram sóbrias e passaram a recepcionar as novatas, logo ficou clara a sabedoria desta orientação, de modo que também os homens acolhem e apadrinham uns aos outros. Também ficou claro o princípio do acolhimento incondicional enunciado na Terceira Tradição de A.A., que passou a ser aplicado a toda e qualquer diferença humana, minoritária ou não.

Quanto às mulheres em A.A., já em 1954 passaram a contar com literatura específica: a reimpressão autorizada do artigo originalmente publicado na revista Good Housekeeping, da The Hearst Corporation, assinado por Margareth Lee Runbeck e intitulado Carta a uma Mulher Alcoólica, “dirigida à mulher que ainda está bebendo, mas que pode suspeitar ter um problema”. Em 1976 foi publicado o livreto A.A. para a Mulher, contendo 15 perguntas relacionadas a aspectos do beber feminino, uma diversidade de depoimentos de mulheres AAs, informações básicas sobre nosso programa e nossos grupos. E artigos publicados na Grapevine – revista internacional de A.A. – incorporaram regularmente experiências femininas na doença e na recuperação.

No Brasil, além dos depoimentos femininos sempre publicados na Vivência, desde os anos 1990 editamos as publicações acima em Língua Portuguesa, tendo adicionado, a partir de 2014, um livreto com depoimentos de AAs brasileiras. Tem crescido o número de grupos que oferecem reuniões femininas, assim favorecendo o amadrinhamento, tal como ocorre na Irmandade em inúmeros países. Igualmente, nossos órgãos de serviço locais e regionais realizam encontros femininos, os quais, embora abertos à participação geral, propiciam maior sensibilização dos próprios AAs, sempre na busca de alcançar mais alcoólicas, bem as recebendo entre nós.

Afinal, nossas companheiras nos contam que continuam lidando com obstáculos adicionais para ficarem e permanecerem sóbrias: precisam dar conta do serviço doméstico, da dupla jornada e/ou dos cuidados com os filhos; não raro enfrentam ciúmes e empecilhos dos cônjuges quanto à sua frequência às reuniões de A.A.; precisam encontrar meios de deixar suas crianças com alguém para poderem ir aos grupos – ou levá-las consigo e lidarem com elas durante as reuniões; eventualmente têm de enfrentar atitudes inadequadas de membros de A.A.; nem sempre encontram madrinhas disponíveis rapidamente. Ou seja, agora abstêmias, precisam seguir lidando com todas as circunstâncias bio-psico-sociais típicas da condição feminina em nossa sociedade.

Desse modo é que temos perseguido um sempre melhor funcionamento de Alcoólicos Anônimos em nosso país, para que nenhum inconveniente ou lacuna comprometam a chegada e a permanência, entre nós, de alcoólicas desejosas de reabilitação. Mencionamos, por fim, o Inventário de Grupos e Membros realizado em 2018, a partir do qual estamos concretizando, atualmente, nosso Projeto de Regionalização, um conjunto de ações visando ao fortalecimento e expansão da nossa rede de grupos e de serviço, que incorpora os desafios aqui compartilhados consigo. Estamos certos de que tal projeto, estratégico para nós, será tanto mais exitoso quanto mais pudermos contar, nesta nova empreitada, com a sempre bem-vinda cooperação dos nossos amigos não alcoólicos. Caso você queira mais informações a respeito, basta fazer contato conosco – permanecemos à sua disposição!

Fraternalmente,
Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil.

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